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Guia Michelin: Será o fim do caso de amor com os chefs?


Postada em 02/02/2020 às 17:10
Por Glaucia Balbachan


O mundo da gastronomia se voltou ao caso mais polêmico desse inicio de ano.


Bocuse perde uma estrela!


O guia decidiu retirar uma estrela do restaurante de Paul Bocuse em Collonges-au-Mont-d'Or, perto de Lyon. Uma decisão tomada após pelo menos três "visitas" de inspetores ao longo do ano de 2019 e anunciada oralmente na última quinta-feira às equipes de restaurantes pelo próprio chefe do guia. Isso mostra o peso desse nome pois o impacto da noticia causou muito mais polemica do que já aconteceu em outras ocasiões.


Lembro-me do lendario, La tour D'argent (o restaurante mais antigo da França, onde Henry IV já havia banqueteado com seu patê de garça), Claude Terrail causou um escândalo depois de perder em 1996 a terceira estrela, drama que foi parar nos portões do tribunal.


O chef Marc Veyrat que é conhecido por uma briga no tribunal onde perdeu para o guia vermelho, disse sobre o caso Bocuse: “É como se eliminássemos o Papa”.


Além de Marc Veyrat, apenas um chefe se atreveu a processar no tribunal: o coreano Eo Yun-Gwon, proprietário do "Restaurante Eo", em Seul. Ele processou a Michelin no ano passado, exigindo que o nome do restaurante fosse removido por falta de "critérios claros". “Incluir meu restaurante nesse livro corrupto é difamação contra funcionários e nossos fãs. Como um fantasma, eles (os inspetores) não têm um número de contato e eu só consegui contatá-los por e-mail, reclamou na imprensa coreana, comparando a avaliação da Michelin com uma piada triste”.



Em 2016 o 3 estrelas do grupo Bernard Loiseau - Relais de Bernard Loiseau também foi pego de surpresa, dessa vez não era boato. Deixando Madame Loiseau furiosa e buscando mesmo a imprensa onde fez várias declarações sobre o caso.


Um caso contrário ano passado, depois de ganhar três estrelas Michelin, o chef espanhol Dani Garcia decidiu fechar seu restaurante premiado para vender hambúrgueres. "Depois de receber a terceira estrela Michelin, reuni minha equipe para comunicar uma decisão importante a eles: 2019 será o último ano de Dani Garcia", concluiu o chef espanhol.


A empresa está bem ciente dessa discrepância. Foi sem dúvida o que o levou, em dezembro passado, a anunciar um acordo com o TripAdvisor, que compartilhará seus dados e, acima de tudo, permitirá que os usuários online reservem uma mesa diretamente após lerem as avaliações. O que, por meio de comissões, deve, a propósito, trazer um pouco de dinheiro extra.


O Guia Michelin é apenas uma sombra de si mesmo ou está no início de uma nova era?


Se a Michelin não é mais popular, é porque não atende mais às expectativas dos jovens viajantes, que preferem usar os serviços de aplicativos que publicam avaliações de clientes, assim os jovens clientes confiam mais nas opiniões de seus colegas do que nas classificações e apreciações dos inspetores muito misteriosos do guia.


Por Jean Claude Cara  


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