Em sua travessia anual por São Paulo, o jornalista Marcelo Copello reitera o vigor discreto e a diversidade singular dos vinhos que margeiam o maior rio de Portugal
Postada em 14/09/2026 às 10:41
Por Glaucia Balbachan
Há uma constância sóbria no gesto com que o jornalista e crítico carioca Marcelo Copello refaz, ano após ano, seu percurso rumo à capital paulista. Sem o alarde das grandes campanhas publicitárias ou a ostentação estética de regiões vitivinícolas hipercomercializadas, o curador traz na bagagem a essência da Caravana Vinhos do Tejo: um ecossistema complexo, ancorado na história ribatejana e marcado por uma renovação técnica silenciosa, porém consistente.
A região do Tejo anteriormente conhecida como Ribatejo até 2009 estende-se por cerca de 7.000 km² e engloba 21 concelhos organizados ao redor da bacia hidrográfica do rio Tejo. Trata-se de uma geografia singular de aproximadamente 12.500 hectares de vinhedos em produção, onde a água exerce papel moderador essencial. O clima mediterrâneo, temperado pela presença constante do rio, suaviza os extremos térmicos e assegura um equilíbrio térmico raro, garantindo cerca de 2.800 horas de insolação anual. ( Foto abaixo: Vinhedos do Cartaxo)

Um Território, Quatro Expressões
O ponto central da curadoria de Copello reside na desconstrução da ideia de homogeneidade. A região do Tejo não se define por um perfil único, mas pela coexistência de quatro terroirs com vocações nitidamente distintas:
Essa diversidade geológica reflete-se na seleção de produtores apresentados na caravana. Desde propriedades históricas fundadas no século XVIII — como a Quinta da Lapa (1773), com seus 72 hectares de vinhas e foco em sustentabilidade, e a Quinta do Casal Branco (1775) — até cooperativas centrais como a Adega do Cartaxo (fundada em 1954 e responsável por cerca de 800 hectares) e projetos de terroir como a Encosta do Sobral, em Tomar.
A Identidade das Castas Emblemáticas
No campo varietal, o Tejo guarda trunfos de grande personalidade: A casta Fernão Pires (também chamada Maria Gomes) reina como a grande protagonista branca da região, ocupando sozinha mais de um terço (36,7%) de todo o vinhedo. Ela dá origem a vinhos florais, aromáticos e versáteis, que transitam entre brancos jovens, espumantes e até elogiadas colheitas tardias. Entre as tintas, a Castelão (12,6%) lidera a identidade regional ao conferir estrutura e notas marcantes de frutos vermelhos aos cortes locais. ( foto abaixo da propriedade da Quinta do Casal Branco)

A seleção apresentada por Marcelo Copello em São Paulo exemplificou com precisão a diversidade climática, a variedade de solos e o rigor enológico da região:
Serviço: Caravana Vinhs do Tejo 2026
Instagram: @vinhosdotejo.tejowines
Fotos: Divulgação – Marcelo Copello