Cardapios

Os sabores de uma Paraíba gastronômica encantadora


Postada em 13/04/2013 às 23:16
Por Glaucia Balbachan



A Paraíba – Onde o bode é rei


 











Praia de Cabo Branco/ João Pessoa

Engana-se dizer que a gastronomia paraibana se resume a tapioca, água de coco e frutos do mar. A história e essência dos produtos regionais são atraentes aos olhos e boca. Com praias de águas claras a cidade de João Pessoa tem muito que mostrar - as estrelas da culinária ganham maior relevância na carne de bode, no abacaxi e na cachaça.


 Porem há um leque de outros subprodutos apetitosos, que marcam forte presença na região e nas mesas paraibanas - pratos típicos como o rubacão, queijo coalho, o melado de cana, a carne seca, a carne de sol e o charque devidamente explicados e definidos pelo Chef Wanderson Medeiros - a macaxeira (mandioca), o baião de dois, os diferentes feijões em especial o verde, a nata, a manteiga de garrafa, o arroz da terra, farinhas, pimentas e por aí vai...

 










Camarão seco e outros sabores da Feira de Campina Grande

 

 São produtos que fazem fusão harmônica de uma história que se preocupa em ser divulgada para os outros  estados do país. As sobremesas são as mais tentadoras como as frutas: caju, cajá, mangaba, acerola, jaca entre muitas outras, mas as cocadas moles, compotas e a cartola (doce quente a base de banana, queijo manteiga, açúcar e canela), atraem todos os paladares.

 É encantadora a inquietude da busca por uma identidade. E melhor ainda, depois de definida trabalhar duro e por tempo indeterminado elevando-a longe e rompendo as barreiras dos paladares país a fora.

 










Um dois muitos produtos da feira de Campina Grande

 

As características mais importantes de um local é a cultura gastronômica. Quando se chega a algum local diferente existe uma necessidade de saber o que se come naquele determinado local.

Ah... Paraíba, terra onde o abacaxi é símbolo de hospitalidade, principalmente se acompanhado de uma cachaça – as frutas fazem par perfeito com a bebida, que também é famosa por suas águas ardentes de qualidade.

 










Casa religiosas

 

Pelas areias das praias – a cerveja perde espaço para os caldinhos de caranguejo e sururu. Profissionais na área gastronômica seguem numa busca incessante da valorização das matérias-primas da região – é a pesquisa pelos sabores e saberes da terra para serem apresentados para o Brasil. Produtos do terroir do local como o caju e o queijo coalho, se transformam em fondue sertanejo - pelas mãos da encantadora professora de nutrição da UFBA e criadora do primeiro curso de gastronomia do norte e nordeste - Linda Suzan.

As cachaças paraibanas são outro capítulo, que ganhou êxito com o tempo, a marca Tambaba – tropicalíssima do proprietário Antônio Chagas, manda sua cachaça para São Paulo, Rio de Janeiro, Natal, Recife entre outros locais do Brasil. A tradicional cachaça Volúpia existente desde 1946 é exemplo de tradição e estrutura, localizada na cidade de Campina Grande.

 

A Paraíba da mesa farta

 

 










As famosas pimentas da Paraíba

 

Considerada o “recheio” por estar entre Natal e Pernambuco, conhecemos a cidade de Campina Grande na Paraíba. Famosa por seus festejos de São João – fica numa de distância de 150km de João Pessoa. É a segunda cidade mais populosa do Estado com 385 mil habitantes. A estrada é boa com uma visão bucólica e calma na presença cabras, bodes e cactos compondo a paisagem.

Um local peculiar e cheio de histórias é a Feira livre de Campina Grande – feira aberta que se estima ter mais de um século. Se encontra de um tudo por lá. De artesanato e panelas de barros até variedade de ricas em alimentos. A feira foi ganhando proporções grandes ocupando quarteirões pela cidade. O funcionamento é diário  - começa das três da manhã e termina no finalzinho do dia. A cultura é orgânica e familiar.

 










Condimentos reginais em Campina Grande/PB

 

No início e até hoje famílias trazem seus magaios com toda produção agrícola de seus sítios – é comum ainda ver os mangaieiros que desciam da zona rural por volta das três da manhã para estarem às 5h na feira livre. Tudo era trazido a lombo de burros. De artigos de barro a colheres de pau e peles de animal. Tudo é fresco e sem agrotóxicos. Frangos são abatidos na sua frente. Animais maiores como bodes e bois são abatidos horas antes como forma de produto fresco. Não há geladeiras ou freegers para conservação.

 












Moinho do Engenho Volúpia

 

Curioso é a variedade de farinhas e feijões. Tudo é vendido a granel em sacos. Raízes, pimentas, fumo de corda, carnes, peixes e camarões secos em abundância. Pura fartura da região. Uma personagem famosa na feira é a Dona Cheiro – com 70 anos e 20 filhos é uma das mais antigas da feira – que produz e vende quiabo e feijão verde.As sensações são inúmeras dentro da feira – cheiros, sons, pessoas transitando para cima e para baixo, poluição visual para uns e sustento e a melhor matéria-prima para quem lida com a culinária e gastronomia.

 










Final de tarde em Campina Grande/Paraíba

 

O gastrônomo da região e dono de restaurante João Barreto – ou mais conhecido como “Cumpade” – nos apresentou os encantos e as realidades do lugar. Grande conhecedor da feira nos deu mais uma aula de história da região do que informações sobre o local. Quanto aos paraibanos... São mais doces que mel, receptivos e carinhoso temperam bem esse prato saboroso chamado Paraíba.

 

Fotos: Márcio Palermo – www.marciopalermo.com.br