Carta de vinhos do restaurante Primrose renova o selo de excelência da Wine Spectator pelo oitavo ano consecutivo, consolidando uma curadoria rigorosa que alia ícones clássicos a rótulos de autor
Postada em 04/08/2026 às 21:27
Por Glaucia Balbachan
Há distinções gastronômicas que marcam um feito pontual, fruto do entusiasmo de um momento. Outras, porém, exigem o exercício contínuo da consistência — a capacidade de reafirmar a excelência a cada safra, decisão e atendimento. É sob esta última premissa que o restaurante Primrose, situado no Castelo Saint Andrews, em Gramado, celebra em 2026 o seu oitavo reconhecimento consecutivo pela Wine Spectator, uma das chancelas mais cobiçadas e rigorosas do cenário enológico internacional.
A condecoração não reflete apenas o acúmulo de garrafas de prestígio, mas atesta uma filosofia de curadoria em que a carta de vinhos é concebida como uma narrativa fluida, estruturada para harmonizar com a alta gastronomia da casa.
Geografia e Identidade da Carta
Com um acervo de aproximadamente 300 rótulos distintos e um volume total de cerca de 450 garrafas — incluindo formatos magnum e edições de coleção —, a adega do Primrose adota uma arquitetura predominantemente europeia, sem ignorar a produção de excelência do Novo Mundo. A Europa responde por 70% a 75% da seleção, sob a liderança marcante de França e Itália, acompanhadas por Espanha e Portugal. A presença do Brasil, representada por exemplares de destaque da Serra Gaúcha, reflete a valorização do terroir nacional, enquanto rótulos seletos do Chile e da Argentina completam a distribuição geográfica de forma equilibrada.

No núcleo das origens clássicas, regiões consagradas como Bordeaux e Champagne dividem o protagonismo francês, enquanto Toscana e Piemonte articulam a presença italiana. O mapa sensorial da casa estende-se ainda por regiões emblemáticas como Douro, Rioja, Mendoza e Ribera del Duero, compondo um catálogo de vocação tradicional que reserva espaço estratégico para correntes emergentes.
Raridades e Ícones Mundiais
Entre os tesouros guardados na adega figuram nomes fundamentais da história do vinho. Das grandes casas de Champagne, sobressaem-se Krug, Dom Pérignon e Veuve Clicquot. O prestígio bordalês é representado por exemplares de relevo como o Château Cheval Blanc 2006, Château Haut-Brion 1994 e o mítico Château d'Yquem 1996. Do Piemonte e da Toscana, emergem expressões de Gaja, Fontanafredda e Braida, ao lado do Masseto 2009, do Solaia 2009 e de safras históricas do Sassicaia (2014, 2016, 2018 e 2021). A península Ibérica manifesta-se através de ícones como o Vega Sicilia Único 2012, o Pingus 1998 e o Castillo Ygay Gran Reserva Especial 2010.
Um dos destaques de maior raridade da coleção é o champagne Krug Clos d'Ambonnay 1998, proveniente de um único vinhedo murado de apenas 0,68 hectare — um rótulo cuja presença em carta constitui, por si só, um acontecimento raro no cenário gastronômico.
Critérios de Curadoria e Inovação
A inclusão de qualquer garrafa no acervo do Primrose obedece a diretrizes estritas: representatividade regional, vocação gastronômica, potencial para proporcionar experiências singulares e o prestígio técnico do produtor. Essa disciplina permite a convivência harmônica entre gigantes do mercado e propostas de pequena escala e mínima intervenção, como os projetos autorais de Damijan, Capoani, Atelier Tormentas e Zidarich.

Atenta às transformações dos hábitos de consumo contemporâneos, a carta contempla ainda opções de rosés premium (como By Ott e Berne Romance), espumantes brasileiros de métodos tradicionais e alternativas sem álcool, demonstrando capacidade de acompanhar e antecipar as tendências globais do setor.
O Vinho na Dinâmica do Serviço
Na dinâmica do restaurante, a adega é operada como componente ativo da experiência à mesa. A sequência das harmonizações é desenhada para acompanhar as etapas do menu: espumantes e champagnes abrem o serviço com os amuse-bouches; brancos estruturados da Borgonha, Chablis e Chile conduzem as criações de frutos do mar; tintos de Bordeaux, Piemonte e Toscana sustentam carnes de longa cocção; e rótulos de sobremesa, como Sauternes, Tokaji e Portos, finalizam a refeição.
Mais do que meros acompanhamentos, exemplares de grande estatura — a exemplo do Château d’Yquem 1996, Dom Pérignon 2003 e Sassicaia 2016 — possuem densidade suficiente para conduzir a experiência central de um menu degustação, marcando celebrações e memórias exclusivas aos frequentadores do espaço.
Sobre o Castelo Saint Andrews:
Localizado em Gramado (RS), o Castelo Saint Andrews é uma referência em hospitalidade de luxo no Brasil. Com arquitetura inspirada em castelos escoceses, o empreendimento combina privacidade, sofisticação e alta gastronomia. O hotel é o único representante de montanha no Sul do país a integrar a prestigiada associação internacional Relais & Châteaux.
Fotos: Divulgação