14/08/2017 às 10:14

Especial Portugal: O Grand Cru lusitano da cortiça na Europa


 

Portugal é um país encantador e multifacetado. É conhecido mundialmente por suas embarcações, por seus rios, por sua beleza natural, por sua cultura musical, pela apetitosa gastronomia, pelos vinhos incríveis e principalmente pela hospitalidade portuguesa – onde o povo é muito acolhedor.

A convite da APCOR – Associação Portuguesa de Cortiça, o Site Empratado foi até Portugal para conhecer de perto o mundo do cultivo e cultura da cortiça, que não se trata apenas de rolhas que vedam garrafas de vinho, mas é um produto natural com infinitas possibilidades de uso em diferentes nichos de mercado.

A força dos montados portugueses

É por aqui que tudo começa. Pelos montados de sobreiros - árvores da família do carvalho, de onde é extraída a cortiça. Portugal é atualmente o maior produtor dessa matéria-prima natural da Europa. O montado não se trata de floresta selvagem, mas sim feita pela a mão do homem. E que além de sobreiros há outros tipos de culturas, como: cultivo de pinheiros, eucaliptos, leguminosas, parreiras de uvas para produção de vinho e gado.

Normalmente são propriedades privadas e se localizam na região do Alentejo e Algarve. Trás-os-Montes e Douro vinhateiro também podem se encontrar montados, por causa da semelhança de clima e temperaturas. O sobreiro se dá bem no calor, com pouca umidade e com solos secos e arenosos.

Os montados equivalem a 23% da área verde de Portugal. Em termos nacionais são cerca de 737 mil hectares de montado de sobreiros. No mundo a soma é de 2.1 milhão de hectares de florestas de sobros.

O primeiro descortiçamento é feito quanto o sobreiro atinge em média 25 anos de vida. Em seguida a nova extração é feita de nove em nove anos. O período escolhido para a retirada da matéria-prima da rolha é o verão, sempre entre os meses de junho e julho. Para o descortiçamento, o trabalho é feito sempre em dupla. Duas pessoas capacitadas retiram com precisão e cuidado para que a árvore continue sã e sem danos.

Segundo a engenheira florestal Carlota Alves Barata – responsável pelo Montado da APFC – Associação de Produtores Florestais de Coruche – onde estivemos em visita, um sobreiro vive em media de 200 a 250 anos. Durante toda a vida dessa árvore serão feitos 16 extrações de cortiça. “O nosso trabalho aqui é dar assistência técnica aos produtores do montado e acompanhar tudo de perto a cada ano”, finaliza a engenheira florestal.

O montado em Coruche, na região de Ribatejo, próximo do Alentejo é um lugar de natureza belíssima com seus sobreiros, que traz a biodiversidade, sustentabilidade, onde o “símbolo nacional”, chamado cortiça, é planejado cuidadosamente para o futuro.

Amorim e seu império de cortiça

Do montado conhecemos em seguida, a maior empresa de Cortiça de Portugal, a marca Amorin. Com caminhões carregados de cortiça que chegam todo o material passa por diversos tratamentos até chegar ao produto final da rolha.

É mergulhado em água quente para mantê-lo hidratado e higienizado. Depois a cortiça é cortada e selecionada para a fabricação de rolhas naturais, rolhas técnicas e para uma gama infinita de produtos, que vai de calçados a revestimento, piso e objetos de decoração. Da cortiça nada é perdido – de seu pó é produzido energia.

Mas isso é só a ponta do Iceberg, depois de escolhido a cortiça, ela vai para outra área da empresa, que ganhará forma de rolha de vinho tranquilo e Champagne. Quanto ao controle de qualidade, nada passa despercebido – desenvolvimento, pesquisa em laboratório para cada vez mais melhorar o produto são um dos principais desafios da Amorim.

Em conversa com a responsável pelo marketing da Amorim – Joana Mesquita, “A rolha é a responsável por manter a qualidade do vinho e é o melhor vedador de líquidos e líquidos com gases de toda a história. Mas estamos aqui trabalhando para que as rolhas sejam as mais perfeitas possíveis. Isso quando falamos do aspecto visual das rolhas naturais e tecnologias”, menciona Joana.

Um dos fantasmas que assombram as rolhas no mercado é o TCA. Trata-se de uma espécie de composto químico encontrado na natureza, incluindo a cortiça. Quando detectado traz aroma e gosto de mofo. Por isso, não somente a Amorim, mas todas as empresas que trabalham com a produção de rolhas investem milhões em pesquisa e tratamento para que seu produto traga maior segurança aos clientes na sua maioria são: França, Itália, Portugal, Espanha, Alemanha, África do Sul, Estados Unidos, Chile, Argentina e por aí vai.

Referencia e líder no mercado, outro trabalho da Amorin em relação à cortiça são seus revestimentos, onde a decoração e design estão fortemente envolvidos. Fomos até lá, na região de Santa Maria da Feira no Porto, constatar, que a cortiça vai muito além das rolhas (da qual ficam com a melhor parte da matéria-prima).

Um exemplo desse subproduto ilimitado é possível isolar ruídos, revestir paredes e pisos, também está em objetos de decoração como mesas e poltronas, pranchas de surf, bolsas de grife e tênis esportivo. É a sustentabilidade fazendo fusão à tecnologia e criatividade. www.amorimcork.com / www.amorim.com

 

Relvas II e suas Rolhas de Champagne

Existente desde o período de Dom Perignon na França, a rolha para espumante ou Champagne vem sendo trabalhada cuidadosamente para apresentar excelência quando desenrolhadas das garrafas. Esse é um dos principais objetivos da marca portuguesa Relvas II. Menor e mais concentrada, compra sua cortiça direto dos montados e se foca nas rolhas de vinhos com borbulhas.

O controle de qualidade e tecnologia é um dos passos para a produção de suas rolhas, tendo seu mercado principal na França, Itália, Estados Unidos e Brasil. O objetivo é chegar à marca dos 130 milhões de rolhas produzidas ano.

Todas as partes da rolha de Champagne chegam a Relvas e lá, são devidamente montadas e supervisionadas até que estejam perfeitas para o cliente. O processo de trabalho consiste em analise sensorial, química e física. Além da própria cortiça, água, os discos e granulados, que compõe a rolha de Champagne. www.relvascork.com


Lafitte Cork Portugal

Nossa última parada foi à empresa Lafitte Cork Portugal. O objetivo está sempre ligado à perfeição. A rolha é leve e protetora do vinho, onde a responsabilidade de vedar é irrepreensível.

Na lafitte a produção é formada por rolhas naturais, aglomeradas (técnicas) e com cápsula (para vinho do Porto). Fundada em 1956 e de origem francesa, a Lafitte tem seu nome em ponto de distribuição na França, Estados Unidos e Chile.

Quando se instalou em Portugal foi com objetivo de controlar a qualidade da cortiça desde o montado, com seuslaboratórios tecnológicos de ponta para que o produto final chegue à perfeição. O trabalho é feito em conjunto da mão humana e dos maquinários de produção. Tudo é acompanhado de computadores, onde profissionais seguem cada etapa final da rolha. www.lafittecork.com

 

Serviço: APCOR - Associação Portuguesa de Cortiça

www.apcor.pt

www.realcork.org

Fotos: Site Empratado

Já esteve em algum montado português? Nos conte sua experiência.



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